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Histórias

Criatividade na primeira infância: espaço para brincar e descobrir

Lembranças das brincadeiras de rua nos anos 90 e o espaço que oferecemos às crianças para criar.

12 de outubro de 20263 min de leitura
Brincadeiras de infância: bolinhas de gude, peão, pipa, ioiô, tamagotchi, mola maluca, tazo e pega-varetas, com a marca The — Gallery 42

Quando penso na minha infância em Itaquaquecetuba, nos anos 90, lembro das brincadeiras na rua e da liberdade de inventar o que fazer. A brincadeira começava com o que estava por perto, ganhava regras combinadas entre as crianças e mudava quando alguém tinha uma ideia nova.

Na época, eu não pensava nisso como um exercício de criatividade. Era simplesmente brincar. Hoje, olhando para essas lembranças, percebo quantas oportunidades havia para imaginar, negociar, encontrar soluções e transformar coisas comuns em parte de uma história.

Essas experiências me fazem pensar no espaço que oferecemos às crianças para criar, principalmente na primeira infância.

Bolinhas de gude
Bolinhas de gude
Peão de madeira
Peão de madeira

A criatividade aparece nas pequenas descobertas

Nos primeiros anos de vida, a criança explora o mundo com o corpo, os sentidos e a imaginação. Ela observa, toca, mistura, empilha, desmonta e tenta novamente. Um objeto pode ganhar vários usos, e uma mesma brincadeira pode seguir caminhos diferentes a cada dia.

A criatividade está nessas experiências cotidianas. Aparece quando a criança inventa uma personagem, encontra um jeito de equilibrar uma construção ou escolhe como representar uma ideia no papel.

Desenhar, pintar e modelar oferecem muitas possibilidades, assim como contar histórias, brincar de faz de conta e explorar materiais variados. O valor dessas experiências está também no processo: nas escolhas, nas tentativas e nas descobertas que acontecem enquanto a criança brinca.

Ioiô
Ioiô
Pipa
Pipa

O que as brincadeiras da minha infância me ensinaram

Nas brincadeiras de rua da minha infância, nem tudo vinha organizado. Muitas vezes, era preciso decidir juntos como começar, adaptar uma regra ou encontrar outra maneira de continuar. A gente aprendia durante a própria brincadeira.

Não se trata de imaginar que toda infância deva ser igual à que vivi. As cidades, as rotinas e as condições de brincar mudaram. Mas aquela experiência guarda algo que continua importante: a oportunidade de participar da criação da brincadeira.

Quando tudo chega pronto, sobra menos espaço para a criança propor. Por isso, mesmo em uma rotina diferente daquela dos anos 90, vale preservar momentos em que ela possa escolher, improvisar e conduzir suas próprias descobertas.

Tamagotchi, bichinho virtual dos anos 90
Tamagotchi, bichinho virtual dos anos 90
Mola maluca
Mola maluca

Como oferecer espaço para criar

Estimular a criatividade pode começar com materiais simples e acessíveis: papel, lápis, caixas, massinha e objetos seguros, adequados à idade. Não é necessário apresentar tudo de uma vez. Poucos materiais podem render muitas possibilidades quando há tempo para explorá-los.

A atitude do adulto também faz diferença. Antes de corrigir um desenho ou mostrar como uma construção deveria ficar, vale observar o que a criança está tentando fazer. Ouvir sua explicação pode revelar uma ideia que ainda não conseguimos enxergar.

Perguntas abertas, como “me conta sobre o que você fez?”, convidam a criança a compartilhar suas escolhas. E há momentos em que acompanhar em silêncio é suficiente, deixando que ela se concentre e experimente.

Também é importante permitir novas tentativas. Uma torre que cai ou uma mistura de cores inesperada pode despertar curiosidade e levar a outra descoberta, sem que o adulto precise resolver imediatamente.

Tazos
Tazos
Jogo de pega-varetas
Jogo de pega-varetas

Uma infância com tempo para inventar

Ao lembrar das brincadeiras em Itaquaquecetuba, percebo como a liberdade de inventar marcou minha infância. É esse espaço de participação, curiosidade e descoberta que merece atenção hoje.

Criar exige oportunidades. Na primeira infância, isso passa por tempo para brincar, materiais para explorar e adultos que acolham as ideias das crianças, inclusive quando elas seguem caminhos inesperados.

Uma criança não precisa terminar toda experiência com algo para mostrar. Às vezes, o que importa aconteceu enquanto ela experimentava: uma escolha própria, uma nova pergunta ou a vontade de tentar de novo.

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